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Intolerância Religiosa e Direitos Humanos: mapeamentos de intolerância

Resenha

Priscila Vieira Bastos *
Lisiane Ramos Zimmer **

O livro é resultado de discussões do Grupo de Pesquisa sobre Intolerância Religiosa e os Direitos Humanos da Rede Metodista de Educação do Sul. Os autores são professores da instituição e integrantes do grupo de pesquisa.

O livro divide-se em dois capítulos. No primeiro, é feito uma análise de algumas ações de intolerância religiosa ocorridas no Brasil e em outros países. Os autores analisam estes atos contrastando-os com os documentos relacionados aos direitos humanos.

Os autores procuram mostrar de forma clara e precisa as ações de intolerância presente nos discursos religiosos. Constatam que a intolerância acontece porque cada grupo religioso busca afirmar sua verdade acerca da experiência religiosa sem levar em consideração a verdade do outro. Porém as diferentes manifestações religiosas devem respeitar as outras, não somente pelo que existe de comum, mas principalmente por causas das diferenças. As diferenças não são motivos para intolerância. O pensamento único, por muito tempo se tornou motivo para intolerância. Atualmente, há de se defender, valorizar e respeitar a diferença.

Embora as três grandes religiões (judaísmo, cristianismo e islamismo) tenham um tronco comum, a convivência na tem sido pacífica. A situação se torna mais grave quando o Estado assume o discurso religioso utilizando-se de leis para perseguir grupos minoritários. Em algumas situações o Estado se une aos grupos religiosos para definir quais são os valores sociais que devem prevalecer na sociedade. Em outras situações o Estado cria leis que defende ou protege a sociedade de ações intolerantes.

Os autores procuram mostrar que religião e liberdade de expressão caminham juntas. No entanto, alguns grupos, baseados em sua ética ou código de moralidade agem de maneira violenta e de forma preconceituosa contra determinados grupos como: homossexuais, mulheres, religiosos africanistas, entre outros. Todavia, os autores lembram que os vários documentos relacionados aos direitos humanos e algumas outras leis presentes nas constituições dos países protegem o indivíduo dessas agressões.

O livro discute também a possibilidade da intolerância fazer parte de um projeto político, visto que, cada grupo não busca apenas um lugar na sociedade para ter direito a realizar seus ritos religiosos, mas também estão preocupados em construir uma sociedade fundamentando em valores que acreditam ser os mais corretos ou melhores. No entanto, pergunta os autores: será que é necessário destruir a identidade de um povo para construir ou manter uma nova identidade cultural?

No segundo capítulo, o professor Mário Bueno trata de um conteúdo Histórico, relatando os conflitos entre protestantes e católicos no Brasil entre o século XVI e início do século XX, divididos em três partes.

Na primeira parte, o autor faz uma relação entre o projeto colonial e o contexto religioso da época, mostrando sua intenção de caráter ideológico, entre os séculos XVI e XVII, através do Padroado Régio, da Expansão Marítima, e a chegada dos primeiros protestantes à colônia em função das invasões Holandesas e Francesas.

Na segunda parte, detém-se ao século XVIII, enfocando os aspectos econômicos e filosóficos de Portugal e sua influência no Brasil com o Iluminismo, a partir do crescimento da crença na razão e da crise do cristianismo como fatores que acabam favorecendo a inserção protestante.

Na terceira parte, ele fala das relações entre protestantes e católicos durante o Império e a República, até os anos 20, relatando os diversos conflitos, enfocando seus principais personagens e os respectivos desfechos.

Este livro é de grande contribuição para quem deseja entender os motivos da intolerância e também para os que pretendem conhecer o que tem sido feito para amenizar estes conflitos bem como entender a questão legal que envolve esta discussão. O texto é de fácil leitura. Há uma abordagem teológica e histórica. Os exemplos de intolerância tomam por base os fatos recentes e outros pertencentes a história do Brasil.

* Acadêmica do 5º semestre do curso de licenciatura em Filosofia e Bolsista do Grupo
de Pesquisa sobre Intolerância Religiosa do Centro Universitário Metodista - IPA.

** Acadêmica do 5º semestre do curso de licenciatura em História e Bolsista do Grupo
de Pesquisa sobre Intolerância Religiosa do Centro Universitário Metodista - IPA.

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