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A publicidade brasileira a partir da categoria gênero The brazilian publicity from the category gender Merli Leal Silva *
Abstract Introdução A menina não possui nada de si mesma que possa ter o mesmo papel. É neste momento que a família tenta compensar dando-lhe uma boneca, que vai gradativamente tornando-se seu alter ego. O sentido da palavra boneca (poupée, em francês) é também a atadura em que se envolve um dedo ferido: um dedo vestido, separado, é olhado com alegria e orgulho. O brinquedo natural do menino, seu pênis, é substituído por uma boneca para as meninas. Este fato aparentemente simples serve de base para a imagem que a sociedade constrói a respeito das mulheres. A grande diferença está em que, de um lado, a boneca representa um corpo na sua totalidade e, de outro, é uma coisa passiva. Por isso, a menina será encorajada a alienar-se em sua pessoa por inteiro e a considerá-la um dado inerte. Ao passo que o menino procura a si próprio no pênis enquanto sujeito autônomo, a menina embala sua boneca e enfeita-a como aspira a ser enfeitada e embalada; inversamente, ela pensa a si mesma como uma maravilhosa boneca. (BEAUVOIR, 1980, p. 20). Trabalhar com o conceito de relações sociais de gênero significa aceitar que as relações entre homens e mulheres na sociedade não são derivadas da biologia. Sabemos que as relações sociais, fruto da comunicação humana, são resultados de determinações econômicas que interagem com padrões culturais e políticos destinados a tornar a produção viável e crescente. É dentro das relações sociais que tornamos o que somos: uma mulher se torna dócil, submissa, dona de casa a partir de certas relações. Estas relações acontecem no tempo e no espaço, são históricas, e, portanto, mutáveis.
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